CENTRALIZAÇÃO, DESCENTRALIZAÇÃO E DELEGAÇÃO


Muitos pequenos empresários vivem o seguinte dilema: Devo centralizar todas as decisões em mim? Devo delegar? Mas e se meu funcionário fizer tudo errado? Será que já posso confiar no fulano para tomar conta disso? São perguntas difíceis de responder.
Este post trata dos conceitos: Centralização, Descentralização e Delegação e tenta mostrar que nenhuma empresa é 100% centralizada ou 100% descentralizada. O grande desafio tanto do pequeno quanto do grande empresário é conseguir atingir o equilíbrio para proporcionar um ambiente de trabalho agradável e ao mesmo tempo construir uma empresa voltada para resultados.
Leia o post e responda: Como é a sua empresa? Qual o seu perfil? E a partir daí tenta chegar a um equilíbrio, assim, terá uma vida social saudável, pois não precisará tomar conta de tudo sozinho, proporcionará oportunidade de crescimento e motivação para seus colaboradores e terá uma empresa focada em resultados.
Vamos lá!
CENTRALIZAÇÃO
 Segundo Oliveira (2010, p. 196) “Centralização é a maior concentração do poder decisório na alta administração de uma empresa.”
 “A centralização consiste na redução dos centros de decisão, localizando-os próximos à alta administração. As decisões são, então, transmitidas por meio de ordens expressas, emanadas de um único centro: a sede, a diretoria, enfim, a administração estratégica (primeiro nível administrativo).” CURY, 2009
Vantagens:
  • As decisões são tomadas por administradores que têm uma visão global da empresa.
  • Tomadores de decisão situados no topo e geralmente melhores treinados e preparados do que os que estão nos níveis mais baixos.
  • Eliminação dos esforços duplicados reduz os custos operacionais.
  • Certas funções – como compras – quando centralizadas, provocam maior especialização e aumento de habilidades.
  • Decisões são mais consistentes com os objetivos empresariais.
  
Desvantagens:
  • As decisões não são tomadas por administradores que estão próximos dos fatos.
  • Tomador de decisão situado no topo raramente tem contato com os trabalhadores e com as situações envolvidas.
  • As linhas de comunicação mais distanciadas provocam demoras prolongadas.
  • Administradores nos níveis mais baixos são frustrados porque estão fora do processo decisorial.
  • Pelo envolvimento de muitas pessoas nas comunicações, há mais possibilidades de um erro e de distorções pessoais. 
DESCENTRALIZAÇÃO
Segundo Oliveira (2010, p. 197) “Descentralização é a menor concentração de poder decisório na alta administração da empresa, sendo, portanto, mais distribuído por seus diversos níveis hierárquicos.”
A primeira vez que se falou em descentralização foi em 1920, na crise da bolsa em Nova York, quando empresas complexas cresceram a partir da compra de diversas pequenas empresas, muitas vezes, empresas que trabalhavam com produtos muito diferentes uns dos outros. Dentre estas empresas estavam Ford e General Motor Corporation, sob a administração do ilustre Alfred Sloan, que diante da dificuldade de gestão de tantas empresas diferentes, agrupou serviços comuns, descentralizou competências gerenciais aos administradores divisionais, instaurando um controle sistemático de resultados. Seguindo a mesma estratégia teremos mais tarde empresas como Du Pont e General Electric.
Estudos recentes mostram que a descentralização enfatiza a forma de mudar o comportamento da organização, e está intimamente ligada à idéia de alterar o regimento interno da organização.
Princípios a serem seguidos no processo de centralização (Cordiner, 1956 apud Oliveira, 2010):
  • A descentralização coloca a autoridade de decidir nos pontos mais próximos dos fatos.
  • Geração de melhores resultados gerais, conseguindo maiores conhecimentos e mais aplicáveis.
  • Só funciona se houver delegação real de autoridade e responsabilidade.
  • Confiança dos dirigentes nos que estão com o poder de decisão descentralizado.
  • O principal papel da assessoria é dar apoio aos operadores de linha mediante número pequeno de especialistas, de modo que as decisões sejam corretas.
  • O conjunto de muitas pequenas decisões corretas gera um resultado melhor para a empresa.
  • A definição das estratégias, não significa necessariamente, uniformidade de métodos de execução destas estratégias em operações descentralizadas.
  • Requerem estratégias pessoais apoiadas em medidas de desempenho, padrões estabelecidos, recompensas pelo bom desempenho e remoção de incapacidades por desempenho insuficiente.
  
Vantagens:
  • Possibilidade de gerar maior especialização nas diferentes unidades organizacionais.
  • Menor exigência de tempo nas informações e decisões.
  • Maior tempo à alta administração para outras atividades.
  • Geração do efeito competitivo saudável, podendo aumentar a produtividade e qualidade dos trabalhos.
    • Amplitude e profundidade dos cargos crescem.
    • As pessoas possuem maior responsabilidade.
    • As perícias em decisões aumentam com a prática.
    • Resposta mais rápida das empresas aos clientes interno e externo.
  • Melhor desenvolvimento da capacidade administrativa e profissional.
  • Tomadas de decisão mais próximas da ocorrência dos fatos.
  • Diminuição de conflitos entre os vários níveis hierárquicos da empresa.
  • Tendência a maior número de idéias inovadoras.
  • Identificação de resultados dos dirigentes periféricos.
  • Diminuição da esfera de controle do dirigente central. 
 Desvantagens:
  • Tomada de decisão incorreta por falta de informação.
  • Inadequado aproveitamento de especialistas centrais.
  • Possibilidade de efeitos negativos na motivação.
  • Maior necessidade de controle e coordenação.
  • Risco de duplicar esforços para executar determinadas tarefas.
  • Dificuldade de normatização e padronização.
  • Ineficiência na utilização de recursos: humanos, financeiros, tecnológicos e materiais.
  • Maior dificuldade de coordenação de atividades com alto grau de interdependência.
  • Aumento de custos com comunicação.
  • Pouca elasticidade da empresa em tomadas de decisão excepcionais.
DELEGAÇÃO
Segundo Oliveira (2010, p. 189) Delegação é o processo de transferência de determinado nível de autoridade de um chefe para seu subordinado, criando o correspondente compromisso pela execução da tarefa delegada.
Em outras palavras delegação é o processo de transmitir certas tarefas e obrigações de uma pessoa para outra, em geral, de um superior para um colaborador. Aquele que recebe o poder delegado tem autoridade suficiente para concluir o trabalho, mas aquele que delega fica com a total responsabilidade pelo seu êxito ou fracasso.
A delegação trata-se de uma construção coletiva, que passa pela criação de condições internas favoráveis que quebrem paradigmas e hierarquias, beneficiando o cliente. Delegação, no entanto, não é transferir obrigações, responsabilidades e depois largar. É preciso acompanhar e apoiar nas dificuldades.
Pré-requisitos:
  • Confiança recíproca.
  • Compromisso com metas e valores comuns.
  • Competência técnica e interpessoal para assumir a co-responsabilidade pelas tarefas delegadas.
  • A autoridade a ser delegada é apenas para o cumprimento da tarefa, não extrapola para outras atividades ou funções.
  • A autoridade deve ser proporcional à responsabilidade do cargo.
  • A responsabilidade não deve ser delegada, pois o chefe que delegou a tarefa continua sendo o responsável por ela.
  • Clareza e transparência são fundamentais.
  • Feedback claro e objetivo em tempo real sobre o andamento das atividades delegadas.
  
Objetivos:
  • Desenvolver aptidões específicas dos colaboradores.
  • Treinar e motivar o colaborador.
  • Aumentar o grau de iniciativa, criatividade, inovação a partir das contribuições.
  • Permite que o chefe consiga coordenar trabalhos mais complexos e de maior abrangência.
  • Maior produtividade.
  • Permite maior amplitude de controle.
  • Proporciona mais segurança para a empresa, pois existirá mais de uma pessoa conhecendo o mesmo trabalho. 
Vantagens: 
  • Quando o chefe sai, o setor ou empresa não param.
  • Há produtividade nas atividades a serem realizadas.
  • Organização do trabalho e desenvolvimento dos colaboradores.
  • Gestão do tempo e dos recursos. 
Erros na Delegação:
  •  Delegar o “que” fazer, e dizer também “como” deve ser feita a tarefa, impedindo o subordinado de escolher seus próprios caminhos, em muitos casos mais adequados que os anteriormente usados.
  • Delegar responsabilidade (o que), mas não a autoridade correspondente. Admite-se a delegação gradual de autoridade, mas sempre existindo um mínimo de autoridade.
  • Indefinição dos limites quanto a prazos, o início e término da tarefa, grau de autoridade.
  • Abdicação: “Não quero ver mais isso”. A chefia impede a colocação de dúvidas por parte do subordinado, aumentando a possibilidade de eventuais problemas na fase inicial da delegação.
  • Não definir previamente formas de controle. É preciso definir o controle como uma forma de ajuda e não como sintoma de desconfiança, em relação ao subordinado.
  • Expectativas ideais/perfeccionismo. Esperar algo do subordinado, mas não clarificar isso com ele; depois cobrar, como se tudo já fosse do seu conhecimento. Esperar que o subordinado execute a tarefa igual ou melhor que a chefia (em curto prazo).
Desafios e dificuldades causados pelas Chefias:
  • Não ter visão sistêmica do trabalho.
  • Receio de perder poder.
  • Medo de errar.
  
Desafios e dificuldades causados pelos Subordinados:
  • Não pedir delegação, não tomar iniciativa de alocar a execução de tarefas novas.
  • Evitar assumir o risco da decisão.
  • Incapacidade (técnica, psicológica etc.), não ter habilitação, competência para execução da tarefa solicitada, preferir a segurança da rotina à ambigüidade/incerteza gerada pela execução de novas tarefas.
Espero que este post tenha esclarecido algumas dúvidas e tenha ajudado vocês.
Voltem sempre.
Cristina Brasão
REFERÊNCIAS   
CURY, A. Organização e Métodos – Uma Visão Holística. 8ª. Edição. São Paulo: Ed. Atlas S.A., 2009.
OLIVEIRA, D. Sistemas, Organização e Métodos. 19 Edição. São Paulo: Ed. Atlas, 2010.
COLABORADORES:
LILIANE APARECIDA DA SILVA 
SAMUEL PEREIRA BORGES
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4 Respostas

  1. estou no primeiro semestre de administração e me ajudou bastante.

  2. Adorei!O bolg é rico de informções e a linguagem é de facil intendimento.Esta me ajudando em sala de aula.

Obrigada por comentar o Blog PEGG!

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